Pesquisa mapeia hábitos de consumo da geração prateada
A partir dos 65 anos, a composição da renda pessoal sofre mudanças e desencadeia uma série de repercussões
19 Outubro 2018  |  11:58h
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No mundo, há 962 milhões de pessoas com mais de 60 anos; no meio do século 21, a população sênior passará dos 2,1 bilhões, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil de 2050, os prateados serão mais de 68,1 milhões, enquanto as crianças e adolescentes com até 14 anos serão 18,8 milhões, segundo a Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, em expectativas bastante conservadoras. Esse progresso demográfico é resultado do aumento da longevidade e da queda da taxa de natalidade, que deriva na redução da proporção de crianças e no aumento na população madura. Classificado como Tsunami Prateado, esse mar de gente deve ser visto como um desafio, mas também uma força positiva para a economia e uma oportunidade social; sobretudo no Brasil, onde já temos mais avós do que netos.

Para entender, de forma aprofundada, os brasileiros com mais de 60 anos e o impacto dessa revolução socioeconômica no país, foi realizada a pesquisa quantitativa e qualitativa Tsunami Prateado- conduzida pela Pipe.Social e Hype60+, com 2.242 seniores. O mapeamento traz um panorama inédito sobre o estilo de vida, autoimagem, hábitos de consumo e relação com a cidade dos brasileiros prateados - além de mapear tendências de consumo focado nessa população. 

A pesquisa comprova que muitos chegam à maturidade dispostos e com desejo (e necessidade) de trabalhar. O desafio é compreender as novas ferramentas tecnológicas e manter a mente atualizada. Entre os entrevistados, 52% são aposentados (índice de 91% entre os 75+); 15% são funcionários de empresas em tempo integral (o maior índice, de 18%, está entre os com 55 a 64 anos). 56% dos brasileiros 55+ se identificam com a frase "minha rotina na semana é bem intensa, com muitas atividades fora de casa"; 21% são autônomos; e 8% empresários. Esses dados mostram que a rotina está longe do imaginário coletivo do idoso isolado em casa. A pesquisa mostra que 47% afirmam ter descoberto, recentemente, talentos que nem sabia que possuía; 59% acham importante continuar os estudos e a conexão com as novidades da área profissional que exerce/exercia.

De acordo com definição do Oxford Economics, a economia prateada é a soma de todas as atividades econômicas associadas às necessidades das pessoas com mais de 50 anos. Dados do Bank of America Merrill Lynchapontam que a silver economy tem movimentado, no mundo, cerca de US$ 7,1 trilhões anuais, o que confere à economia prateada o status de terceira maior atividade econômica do mundo. O consumidor brasileiro maduro movimenta cerca de R$ 1,6 trilhão por ano. No país, 86% dos brasileiros com mais de 55 anos têm renda própria; entre os com 75 anos ou mais, esse índice é de 93%.

Entre as principais fontes de renda na faixa etária de 55 anos a 64 anos, estão a aposentadoria (39%), trabalho profissional (49%), rendimentos de aluguéis (6%), aplicações financeiras (3%) e plano de previdência privada (2%); entre os com mais de 65 anos, as porcentagens são 69%, 22%, 3%, 2% e 4%, respectivamente. Seis em cada 10 dos brasileiros 55+ têm uma renda individual que representa 50% da renda bruta familiar. Os prateados brasileiros são bancarizados - 93% na média geral; 98% entre os da classe A; e 83% das classes C, D e E - e investem em produtos e serviços para o futuro.

O poder de compra dos sêniores deve superar os R$ 30 trilhões no mundo, em 2020. Entretanto, a relação dos seniores com compra e consumo já não é a mesma. A partir dos 75 anos, a relação de compra de um produto ou serviço passa a ser menos emocional: apenas 25% afirmam que é um momento de prazer; 33% afirmam que é necessário e só sai para comprar quando precisa; 24% associam com uma oportunidade de conversar e ver outras pessoas; e 7% classificam como um momento complicado pelas filas, dificuldade de enxergar o preço, vendedores com pouca paciência. Esses índices, na faixa etária de 55 a 64 anos, são: 49%, 44%, 18% e 4%, respectivamente; dos 65 a 74 anos, respectivamente, 42%, 51%, 16% e 3%.

Há menos prazer em comprar para si próprio e ocorre a terceirização dessa necessidade. Enquanto de 55 a 64 anos, 40% respondem que gostam de comprar coisas para si (vestuário, beleza e objetos pessoais), entre os com mais de 75 anos esse índice cai para 22%. Os espaços de compra também mudam com a idade; para os com mais de 75 anos, a rotina no bairro é um drive de compra e 61% afirmam que preferem lojas de rua e espaços abertos como feiras livres; 34% preferem shopping e centros comerciais; 3% compram pela internet. De 55 a 64 anos, esses índices são 26%, 61% e 13% respectivamente; de 65 a 74 anos, são 30%, 60% e 9%, respectivamente. Nesse contexto, o atendimento é um atributo que ganha valor entre os prateados mais velhos - embora o preço acessível lidere em todas as faixas etárias, com 76% entre 55 e 64 anos; 75% até 74 anos; e 74% acima de 75 anos. Na segunda posição está a qualidade do produto com 73%, 68% e 55%, respectivamente. Os serviços de entrega em casa são valorizados: 37% têm o hábito de comprar dessa forma, sendo 79% comida pronta, 56% medicamentos e 47% eletrodomésticos, móveis e produtos para a casa.
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