Consumidor não está preparado para imprevistos
Apenas 11% dos brasileiros conseguem lidar com despesas inesperadas
16 Abril 2018  |  12:46h
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Marcela Kawauti
A maioria (66%) dos consumidores afirmam não estarem preparados para lidar com imprevistos e apenas 11% disseram ter a capacidade de lidar com despesas inesperadas, percentual que cai para 7% entre a população com idade entre 18 e 34 anos e sobe para 22% nas classes A e B.Os números são do Indicador de Bem-Estar Financeiro dos brasileiros, apurado pelo Serviço de Proteção ao Crédito, o SPC Brasil, com o apoio de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro e  da Comissão de Valores Mobiliários, a CVM.

A proteção contra imprevistos é um dos quatro pilares que sustentam o indicador, ao lado do controle sobre as finanças, compromisso com os objetivos financeiros e a liberdade para fazer escolhas que lhe permitam aproveitar a vida. O nível de bem-estar financeiro de cada consumidor varia de acordo com respostas dadas em dez questões que avaliam os hábitos, costumes e experiências com uso do dinheiro. Numa escala que varia de zero a 100, quanto mais próximo de 100, maior o nível médio de bem-estar financeiro da população; quanto mais distante de 100, menor o nível. Em março de 2018, o indicador marcou 48,0 pontos. O resultado não se distanciou da média dos últimos meses (47,6 pontos).  "A evolução do indicador é algo que depende não só da consolidação da melhora do cenário econômico, mas também de mudanças de hábitos dos consumidores em relação às suas decisões financeiras", explica a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

A abertura dos dados por gênero mostra que, entre os homens, o nível médio de bem-estar financeiro foi maior (49,4 pontos) do que entre as mulheres (46,6). Consumidores mais jovens também mostram um nível de bem-estar financeiro menor, na comparação com os consumidores mais velhos: na faixa etária superior aos 50 anos, o indicador pontuou 50,3; já na faixa de 18 a 34 anos, marcou 46,2. "O fato de, na média, os jovens da atualidade ingressarem um pouco mais tarde no mercado de trabalho posterga o ganho de renda própria e, consequentemente, a possibilidade de se preparar financeiramente para o futuro. Mesmo entre aqueles jovens que já trabalham, no início de carreira a renda tende a ser menor e o futuro pode parecer distante, o que leva à priorização de outros objetivos, como estudo, carro, viagens, financiamento da casa, em detrimento da aposentadoria", avalia.

Entre os consumidores pertencentes às classes A e B, a pontuação média foi de 53,1, superior aos 46,5 pontos das classes C, D e E. Já entre os consumidores que declararam estar no vermelho, isto é, sem conseguir pagar todas as contas no momento da sondagem, a pontuação média do indicador foi de 44,1, abaixo da média nacional. Para aqueles que disseram estar no azul, a média foi de 55,4 pontos.

CONTROLE DAS FINANÇAS
Outro importante pilar pesquisado no indicador é o controle das próprias finanças. A preocupação com a possibilidade de o dinheiro que tem acabar descreve cerca de 28% dos consumidores. No geral, 42% nunca ou raramente deixam a desejar no cuidado com as finanças. Por fim, a sensação de que a situação financeira controla a própria vida acompanha 31% dos consumidores.

"Para mudar esta situação, é importante que a pessoa assuma as rédeas de seu orçamento. Com planejamento e organização financeira, é possível honrar os compromissos financeiros e garantir a realização de sonhos, lidar com imprevistos e aproveitar a vida dentro de suas possibilidades. Quando isto não é feito, a pessoa vive um ciclo vicioso, sempre correndo atrás de sair do aperto financeiro ou até mesmo do vermelho", indica o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli. "O controle das finanças permite uma melhor definição das prioridades de onde o dinheiro será gasto, evitando o consumo desenfreado e, então, o endividamento."

O foco e o compromisso com os objetivos financeiros também pesam no bem-estar financeiro dos indivíduos. Nesse pilar, os consumidores brasileiros mostram-se especialmente desprecavidos quanto ao futuro: expressivos 55% dos consumidores afirmaram que não estão assegurando o futuro financeiro, percentual que sobe para 61% na faixa etária de 18 a 34 anos, enquanto apenas 15% garantem o oposto. 47% dos consumidores disseram acreditar que, por causa da sua situação financeira, alcançarão as coisas que querem na vida, mas 19% mostraram-se pouco confiantes a respeito disso. Outra constatação referente à conquista dos sonhos é que 61% nunca ou raramente têm dinheiro sobrando no final do mês, percentual que sobe para 66% na classe C, D e E, enquanto apenas 10% conseguem a sobra.

LIBERDADE PARA FAZER ESCOLHAS
Não é só do futuro, no entanto, que o consumidor deve se ocupar para ter bem-estar financeiro. A liberdade para fazer escolhas que permitam aproveitar a vida completa os pilares do bem-estar financeiro: os números mostram que 55% não possuem a condição de poder aproveitar a vida por causa da forma que administram o dinheiro, enquanto apenas 12% disseram que conseguem. Indo ainda mais além, 30% dos consumidores disseram que a condição de apenas sobreviver, e não viver plenamente, descrevia a sua situação. Dar um presente a alguém, exemplo de gasto eventual que pode ocorrer na vida de qualquer um, prejudicaria 26% dos consumidores frequentemente ou sempre. Já 34% seriam prejudicados algumas vezes e 40%, nunca ou raramente.

Avaliando cada quesito em separado, embora aquém do desejável, aquele em que o consumidor brasileiro mais destaca-se positivamente é o que diz respeito à conquista futura das coisas que quer na vida em razão da própria situação financeira, com 61,1 pontos. Quando o assunto é a avaliação do cuidado com as próprias finanças, a pontuação é 59,7. Já as maiores dificuldades estão relacionadas ao preparo para o futuro, fazer reserva contra imprevistos (26,6), a sobra de dinheiro no final do mês (30,3), assim como as possibilidades para aproveitar a vida pela forma que administra as próprias finanças (33,6).
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